Rio sediará Fórum Forró de Raiz RJ

Rio sediará Fórum Forró de Raiz RJ, iniciativa do Sesc RJ, em prol do reconhecimento do gênero musical como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro

Megaevento, entre 26 e 28 deste mês, reunirá artistas, especialistas e autoridades; programação promoverá audiência pública e show-manifesto

Acompanhe o ritmo e arraste o pé porque já vai começar! Entre os próximos dias 26 e 28 de abril, o Sesc RJ realiza o Fórum Forró de Raiz RJ, uma iniciativa do projeto O Nordeste é Aqui. O megaevento reunirá personalidades, artistas, pesquisadores e profissionais reconhecidos nacionalmente pela atuação na cadeia produtiva desse gênero musical. O evento, que incluirá uma audiência pública, mesas redondas e um show-manifesto, tem o objetivo promover o debate em torno do registro do forró como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Outros fóruns regionais sobre o tema já foram e serão realizados pelo país, mas o do Rio – onde vive a segunda maior comunidade nordestina fora do Nordeste – tem tudo para ser um marco. Isso porque, além da intensa programação e da presença de nomes influentes da cultura nordestina e forrozeira, o evento carioca marca a adesão oficial do Sesc RJ ao movimento, que agora ganha força institucional.
“Como fomentador da cultura em suas mais diversas manifestações, o compromisso do Sesc RJ é se engajar a movimentos que tragam valorização e reconhecimento a expressões artísticas de grande representatividade junto a sociedade do Estado do Rio de Janeiro. E o forró é uma delas, por conta da numerosa comunidade nordestina que ao longo da História contribuiu para o desenvolvimento do Estado e também para enriquecer ainda mais a cultura local”, afirma o gerente de Responsabilidade Social do Sesc RJ, Paulo Damasceno.

Após a realização do Fórum Forró de Raiz, O Nordeste é Aqui continua no Sesc RJ, iniciando um trabalho de valorização da cultura nordestina em todo o Estado, o que integra os esforços da instituição pela salvaguarda das matrizes do forró, além do resgate e fortalecimento de tradições e expressões do Nordeste. As Unidades do Sesc RJ receberão, até dezembro, intensa programação sobre o tema. Shows, teatro, artesanato, oficinas e exposições vão exaltar a importância cultural do forró no cenário brasileiro. Entre as atrações está uma exposição com documentos e pertences originais de Padre Cícero, nascido em Crato (CE) e que teve grande influência social e política no Sertão cearense e em todo o Nordeste.

PROGRAMAÇÃO:

Audiência pública: ocorrerá no Sesc Ginástico, no dia 26/4, dando início ao fórum. O encontro reunirá artistas, profissionais do ramo e autoridades para discutir políticas públicas sobre o tema – entre os convidados está o Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão. A comunidade forrozeira enviará ao Senado pedido de emendas ao orçamento que viabilizem recursos para atender outras exigências para o reconhecimento do forró como Patrimônio Imaterial. Entre elas, registros audiovisuais e pesquisas acadêmicas sobre as matrizes do forró. O Parlamento brasileiro estará representado pela Senadora Fátima Bezerra (PT-PB), presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR).

Debates: Entre os dias 26/4 e 28/4, o Sesc Tijuca sediará debates. Especialistas vão se debruçar sobre todos os aspectos que envolvem a manifestação cultural, e os resultados vão alimentar o processo de reconhecimento, protocolado junto ao Iphan em 2011, pela Associação Cultural Balaio Nordeste, da Paraíba.

As mesas discutirão aspectos conceituais sobre o forró, como suas matrizes e seus ritmos tradicionais, sob o viés da qualidade musical, do mercado fonográfico e da composição. Entre os temas: regulamentação profissional; leis de incentivo e arrecadação de direitos; sustentabilidade da nova geração; o forró e a mídia; políticas públicas, empreendedorismo e forró como conteúdo pedagógico; e identificações de territórios, comunidades e atividades.

Personalidades e especialistas já confirmaram presença nos debates. Entre eles estão os músicos Kiko Horta, Jadiel Guerra, Sergival e Daniel Gonzaga (filho de Gonzaguinha e neto de Luiz Gonzaga); a cantora, compositora e jornalista Antônia Amorosa; os pesquisadores Felipe Trotta (UFF) e Elis Ângelo (UFRRJ); o poeta, músico e militante da cultura nordestina Marcus Lucenna; e o jornalista, cantor e compositor Gilberto Teixeira.

Show-manifesto: no último dia do Fórum, em 28/4, haverá um show-manifesto na Feira de São Cristóvão, com a presença de mais de 20 artistas e grupos musicais. A cantora e atriz Tânia Alves abrirá o evento com uma performance, na qual interpretará a cangaceira Maria Bonita. Os músicos Marcelo Mimoso e Chambinho do Acordeon, que interpretaram Luiz Gonzaga no teatro e no cinema fazem um duelo de sanfonas e apresentação do espetáculo.

E não para por aí. A Orquestra Sanfônica Balaio Nordeste – grupo da Paraíba que já levou a música nordestina a vários estados e até ao Peru e à França – promete ser um dos pontos altos. Sobem ao palco ainda Anastácia Forrozeira, Cassiano Beija Flor, Cris da Maria Filó, Del Feliz de Salvador, Gilberto Teixeira, Igor Konde, Geraldo Junior (Junu), Antônia Amorosa, Sussu, Marabá da Feira, Zé da Onça, Jadiel Guerra, Caceteiro do Forró, Sergival Silva, Sandra Belê e Oswaldinho, entre outros.

Processo junto ao Iphan
Para o reconhecimento de um bem cultural como Patrimônio Imaterial Brasileiro é preciso comprovar que ele tem continuidade histórica e relevância nacional para a memória, a identidade e a formação da sociedade nacional. No caso do forró, o pedido ocorreu em 8 de julho de 2011, encaminhado pela Associação Cultural Balaio Nordeste, da Paraíba.

Desde então, a instituição tem realizado fóruns regionais em diferentes estados e recolhido insumos importantes para o processo. Em 10 de setembro de 2015, em um Fórum em João Pessoa (PB), foram definidas as diretrizes para a Instrução Técnica do Registro das Matrizes do Forró, uma das etapas do processo. Trata-se dos aspectos sobre o Forró de Raiz que precisam ser levados em consideração para a correta salvaguarda dessa manifestação cultural. É sobre essas diretrizes que os participantes do Fórum do Rio de Janeiro se debruçarão entre 26 e 28 de abril.

Os resultados das discussões do Rio de Janeiro – somadas às realizadas em outras regiões por onde o fórum passará – vão compor um dossiê sobre o Forró de Raiz. Trata-se de uma vasta documentação, que inclui registros audiovisuais, pesquisa etnográfica e inventário. O material será entregue ao Iphan. Em seguida, caso o órgão emita parecer favorável ao registro, o processo será submetido ao seu Conselho Consultivo, que toma a decisão. Se ela for favorável, o forró é inscrito no Livro de Registro das Formas de Expressão do Iphan e recebe o título de “Patrimônio Cultural Imaterial”.

Maiores informações e inscrições no site do Sesc link

Programação Fórum Forró de Raiz RJ 2018

Fonte: Sesc RJ

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