Seis anos depois, tragédia da região serrana entra na mira da Operação Lava Jato

PF suspeita que ex-governador Sérgio Cabral recebeu propina por obras emergenciais nas cidades atingidas

IMG_20170112_103515536O campo Grande em Teresópolis. Tragédia finalmente entra aparece na Lava Jato.

Madrugada de 12 de janeiro de 2011. Região serrana do estado do Rio de Janeiro. Um temporal de poucas horas se transforma na maior tragédia climática do Brasil. Cidades como Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo, entre outras tantas, despertam em meio a cenas de horror e morte. Acontece a mobilização, no Brasil e até no exterior, e no final de tudo um tenebroso legado de mais de 1000 pessoas mortas, além de um número incalculável de desabrigados, muitos até hoje sem ter onde morar ou que voltaram para seus antigos lares, em áreas de extremo risco.

A tragédia da região serrana do Rio completou seis anos em meio a novas denúncias sobre desvio de recursos que deveriam ter sido investidos na recuperação de cidades e no amparo de famílias que perderam entes, e de desabrigados. Nesta semana o Jornal Folha de São Paulo publicou matéria contundente sobre relatório da Polícia federal, que aponta a ação de uma quadrilha supostamente comandada pelo ex-governador Sérgio Cabral, atualmente preso em uma das unidades do complexo prisional de Bangu – zona norte do Rio.

A suspeita recai sobre a contratação de obras emergenciais logo após a tragédia. Segundo a PF, planilhas apreendidas na casa de um dos operadores do ex-secretário Hudson Braga, dão a entender que a propina cobrada podia chegar a 8% do valor total das obras emergenciais , dos quais, segundo a PF, Cabral ficaria com metade. O estado do RJ firmou contratos sem licitação de cerca de R$ 147 milhões, utilizando verbas federais. Nos documentos ainda existe menção à sigla “BSB”, que a Polícia Federal acredita ser alguém ligado ao governo federal (BSB é a sigla de Brasília). 

Segundo a Folha, também existem indícios de pagamentos de propina para pessoas de fora da administração estadual, especialmente nas obras do projeto “Asfalto na porta”, que levou asfaltamento a cidades do interior do estado. O projeto teria custado R$ 700 milhões, com dinheiro vindo do Banco do Brasil.

Esta é a primeira vez que obras referentes à tragédia da região serrana são citadas nas investigações da operação Lava Jato. O ex-Governador Sérgio Cabral é suspeito de ter recebido propina da Andrade Gutierrez pelas obras do complexo do Maracanã,  do PAC nas favelas e Arco Metropolitano.

Matéria:Celso Ávilla

Fonte:Site Cidades On